Quadro clínico – dor pélvica

É por essa etapa que se inicia a suspeita de endometriose.

N

São seis os sintomas que mais comumente relacionam-se com a doença:

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Dismenorreia:

Dor e cólica no período menstrual.

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Dor pélvica crônica ou acíclica:

Dor em baixo ventre (pélvica), sem relação com o ciclo menstrual por pelo menos seis meses, sem melhora com a utilização de analgésicos.

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Dispareunia de profundidade:

Dor no fundo da vagina durante a relação sexual.

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Infertilidade:

Dificuldade para engravidar em casal com vida sexual ativa (duas ou mais relações sexuais por semana) e sem utilizar método contraceptivo por pelo menos um ano.

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Sintomas intestinais cíclicos:

Aceleração ou diminuição do trânsito intestinal, dor à evacuação e/ou sangramento nas fezes durante o período de fluxo menstrual.

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Sintomas urinários cíclicos:

Dor para urinar, sangramento na urina, e/ou vontade de urinar muitas vezes. Esses sintomas ocorrem durante o período de fluxo menstrual.

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Existem duas situações onde os sintomas são incompatíveis com a gravidade da doença:

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Presença de sintomas:

Mulheres com muitos sintomas, mas que apresentam poucas lesões.

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Ausência de sintomas:

Mulheres sem sintomas que têm endometriose, por vezes até avançada, mas poderão não ter diagnóstico exatamente pela ausência dos sintomas.

A endometriose profunda apresenta alguns sintomas típicos, já a superficial e a ovariana não possuem sintomas característicos.

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Endometriose profunda

Alguns estudos demonstraram relação direta do tipo de sintoma com o local da doença, onde:

  • queixa de dispareunia de profundidade (dor na relação sexual) aparece em pacientes com lesões vaginais;
  • sangramento durante a relação sexual também aparece nas lesões vaginais que se exteriorizam pela mucosa vaginal;
  • sintomas urinários cíclicos (dor para urinar, sangramento na urina) surgem nas mulheres com endometriose de bexiga;
  • sintomas intestinais cíclicos (dor à evacuação, sangramento nas fezes) surgem nos casos de lesões intestinais (reto-sigmóide).

Estatísticas

No Setor de Endometriose da Divisão de Clínica Ginecológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), em mais de 1100 pacientes atendidas, aproximadamente 85% referiam dor pélvica (dismenorreia, dispareunia de profundidade ou dor pélvica crônica) e 40% infertilidade. Ao analisarmos somente as pacientes com endometriose profunda, 96% apresentavam dor pélvica e por volta de 50% tinham queixa de infertilidade.